A Hélice Tríplice, a Sociedade do Conhecimento e o ensino e pesquisa do Cooperativismo

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MÁRIO DE CONTO

DOUTOR EM DIREITO PELA UNISINOS. COORDENADOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO DA FACULDADE
DE TECNOLOGIA DO COOPERATIVISMO – ESCOOP. GERENTE JURÍDICO DO SISTEMA OCERGS-SESCOOP/RS

Henry Etzkowitz, na célebre obra “The triple helix: university-industry-government innovation in action1” ” argumenta que, na sociedade contemporânea, “a universidade é o princípio gerador das sociedades fundadas no conhecimento, assim como
o governo e a indústria são as instituições primárias na sociedade industrial”. Segundo o autor, “a vantagem competitiva da universidade em relação a outras instituições de produção de conhecimento são seus estudantes. O fluxo contínuo de
admissão e graduação de alunos traz o aporte de novas ideias (…)”. Dessa forma, tal interação gera um círculo virtuoso em que as Universidades dedicam-se ao ensino e pesquisa de temas de interesse dos setores produtivos, que por sua vez recebem
novos profissionais preparados que oxigenam as organizações; as pesquisas realizadas, por seu turno, subsidiam o governo na adoção de políticas públicas adequadas.

Tal concepção – da importância da interação entre tais esferas – ganhou relevância na última década e reposicionou diversas universidades que se transformaram em verdadeiros parques industriais, incluindo em seus campus instalações de empresas
de fornecimento de bens e serviços. A criação da Escoop – Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo parte da premissa da necessária perenização do ensino e da pesquisa em cooperativismo através do estabelecimento de uma faculdade mantida pelo Sescoop/RS – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul e alinhada com seu planejamento estratégico. Além disso, os cursos de graduação2 e de pós-graduação lato sensu3 estão diretamente ligados à formação de profissionais para as cooperativas: atualmente todos os alunos matriculados na Escoop são bolsistas que, para tal, possuem vínculo empregatício ou societário com cooperativas registradas no Sistema OCB. Nesse sentido, pode-se dizer que todos os alunos – desde seu ingresso – já estão vinculados a cooperativas, estabelecendo a salutar troca entre o ambiente profissional e acadêmico.

No que tange à pesquisa, a recente aprovação de Projeto da Escoop perante o Fundecoop – Fundo Solidário de Desenvolvimento Cooperativo4 prevê o estabelecimento de um Núcleo de Pesquisa na Escoop, nos próximos três anos (2016-2018), como atividade preparatória à criação de um Curso de Mestrado Profissional em Gestão de Cooperativas (previsto para 2019).

No que se refere ao Núcleo de Pesquisa, o Projeto refere a criação de Conselho de Pesquisa, formado por representantes do Sistema Cooperativista Brasileiro para a definição e acompanhamento dos Projetos de Pesquisa estratégicos a serem desenvolvidos dentro da linha de pesquisa da Escoop, ligados à Gestão Estratégica de Cooperativas. A ideia é justamente
garantir a integração entre as atividades de pesquisa realizadas pela Escoop e as necessidades das Cooperativas.

No que se refere ao Mestrado Profissional5 (previsto para 2019), a escolha do formato privilegia, efetivamente, que as pesquisas realizadas sejam efetivamente direcionadas para a solução de problemas reais das cooperativas. Nesse sentido, além das pesquisas realizadas contribuírem de forma prática para atender ao desenvolvimento de cooperativas em âmbito nacional (em temas relacionados à gestão e governança), os egressos do curso poderão lecionar em Instituições de Ensino Superior, difundindo o conhecimento em instituições de ensino por todo o País.

Em suma, as instituições de ensino, em uma dociedade do conhecimento, representam o centro do processo de inovação, no sentido da formação de profissionais que correspondam às necessidades dos setores produtivos, oxigenando as organizações
com novas ideias e processos. Além disso, as instituições de ensino, devidamente integradas com os setores produtivos, se propõem à pesquisa de novas soluções para os desafios contemporâneos. Ao pensarmos na perenidade do cooperativismo – como um modelo econômico sui generis – resta evidente que o ensino e a pesquisa especializados se tratam de estratégia vital para o seu fortalecimento e sua interlocução com os governos, no sentido do estabelecimento de políticas públicas adequadas. Pode-se dizer, nesse sentido, que a interação entre as três esferas está em curso: o desenvolvimento do cooperativismo perpassa, necessariamente pelo fortalecimento de tais relações.