Pesquisa da Escoop analisa práticas de inclusão e saúde mental voltadas à diversidade no cooperativismo
Estudo busca identificar estratégias que fortaleçam o pertencimento, o bem-estar e a valorização das diversidades nas cooperativas.
O cooperativismo tem entre seus princípios a valorização das pessoas, a equidade e o compromisso com a construção de comunidades mais justas e inclusivas. Nesse contexto, compreender como as cooperativas podem promover ambientes acolhedores para diferentes identidades e vivências torna-se um tema cada vez mais relevante.
Com esse olhar, a Escoop desenvolve a pesquisa "Cooperar pela Diversidade Sexual de Gênero e Relacional: práticas possíveis na emergência da saúde mental e emocional como consolidação de princípios e valores cooperativistas", coordenada pela professora Dra. Rosane Oliveira Duarte Zimmer, da Escoop, e desenvolvida de forma colaborativa com a professora Dra. Rejane Inês Kieling, também da instituição.
O projeto conta ainda com a participação do professor Dr. João Alves da Silva Neto Medeiros, pesquisador vinculado à Fiocruz e à Universidade do Minho (Portugal), da integrante dos Comitês de Diversidade do Sistema Ocergs Cristiane Maiato de Oliveira e do mestrando Leonardo Mauricio Koglin, vinculado à Universidad Nacional de Misiones (Argentina) e à Cooperconcórdia.
A diversidade de experiências e áreas de atuação dos participantes fortalece a construção de um estudo interdisciplinar, conectado aos desafios contemporâneos do cooperativismo e à promoção de ambientes mais inclusivos e acolhedores.
Diversidade, pertencimento e saúde mental
O estudo parte do reconhecimento de que pessoas pertencentes à Diversidade Sexual, de Gênero e Relacional (DSGR) ainda enfrentam desafios relacionados à exclusão, preconceito, invisibilidade e falta de representatividade em diferentes espaços sociais e profissionais.
Essas experiências podem impactar diretamente a saúde mental e emocional, influenciando sentimentos de pertencimento, segurança psicológica e bem-estar no ambiente de trabalho.
A pesquisa busca compreender quais práticas já estão sendo desenvolvidas pelas cooperativas para enfrentar esses desafios e quais caminhos podem fortalecer uma cultura organizacional mais inclusiva e alinhada aos valores cooperativistas.
Conhecimento construído a partir do diálogo
A metodologia prevê a realização de círculos dialógicos com cooperativistas e representantes de cooperativas interessados na temática, promovendo espaços de escuta, troca de experiências e construção coletiva de conhecimento.
Além disso, serão produzidas Cartas Pedagógicas, metodologia já utilizada em pesquisas anteriores da Escoop, permitindo registrar narrativas, reflexões e proposições relacionadas à saúde mental, ao pertencimento e à inclusão.
A proposta é compreender não apenas os desafios existentes, mas também valorizar experiências positivas e iniciativas capazes de inspirar outras organizações cooperativas.
Da pesquisa à transformação das práticas
Entre os resultados esperados estão a elaboração de recomendações estratégicas, a sistematização de boas práticas, a produção de conteúdos educativos e a ampliação do debate sobre diversidade e saúde mental no cooperativismo.
O estudo também prevê a produção de materiais voltados às lideranças, contribuindo para a implementação de políticas e ações que fortaleçam ambientes seguros, respeitosos e acolhedores para todos.
Cooperativismo e valorização das pessoas
Mais do que discutir diversidade, a pesquisa reforça a importância de reconhecer as diferentes trajetórias, experiências e identidades que compõem o movimento cooperativista.
Ao promover reflexões sobre saúde mental, inclusão e pertencimento, o estudo contribui para fortalecer a identidade cooperativa e reafirmar o compromisso das cooperativas com a valorização das pessoas, a equidade e a construção de relações mais humanas.