Prisma estreia formação executiva com foco em decisões estratégicas
Aula inaugural reuniu 15 lideranças de diferentes cooperativas para discutir governança, gestão, liderança e geração de valor a partir de casos reais.
Tomar decisões em uma cooperativa exige equilibrar resultados econômicos, necessidades dos cooperados, responsabilidade social e visão de futuro. Para contribuir com esse desafio, o Sistema Ocergs, por meio da Escola Superior do Cooperativismo (Escoop), realizou nesta semana a aula inaugural do Prisma – Formação Executiva Cooperativa, primeira formação executiva da Escola de Negócios da instituição.
O encontro reuniu 15 lideranças de diferentes cooperativas em uma experiência de aprendizagem voltada à qualificação da gestão cooperativa. Com uma metodologia baseada na análise de casos reais, na discussão coletiva e na troca de experiências, o programa propõe ampliar o repertório dos participantes e desenvolver sua capacidade de avaliar cenários, considerar diferentes perspectivas e tomar decisões mais qualificadas.
A proposta parte de uma realidade comum a organizações de diferentes ramos: os desafios da gestão não apresentam respostas prontas. Por isso, além do conhecimento técnico, exigem capacidade de análise, visão estratégica e compreensão dos impactos que as escolhas produzem para os cooperados, os negócios e as comunidades.
Aprender com casos reais e diferentes perspectivas
Desde a abertura, a troca de experiências esteve no centro da proposta pedagógica do Prisma. Os participantes compartilharam suas trajetórias profissionais, seus objetivos e os desafios organizacionais vivenciados nas cooperativas em que atuam. A diversidade de experiências contribuiu para aproximar o conteúdo acadêmico das situações enfrentadas no cotidiano da gestão.
A turma reúne representantes de cooperativas como Sicredi Interestados, Cotripal, Sicredi Pioneira RS, Cotrijal, Ouro do Sul, Cotrirosa, Cresol Missões Fronteira, Sicredi Planalto RS/MG, Vinícola Garibaldi, Uniodonto Porto Alegre, Languiru, Certaja Energia, Certel, Agropan e Central Sicredi Sul/Sudeste.
Para a coordenadora de Ensino, Pesquisa e Extensão da Escoop, Paola Londero, a formação foi estruturada para ampliar a capacidade das lideranças de tomar decisões diante de contextos organizacionais distintos, aproveitando a diversidade de experiências da turma. “A nossa expectativa é oferecer uma oportunidade de qualificação da tomada de decisão das lideranças dentro das cooperativas, para torná-la cada vez mais ágil, qualificada e assertiva. A proposta é trabalhar diferentes perspectivas, permitindo que os participantes explorem outros pontos de vista e agreguem conhecimentos e experiências ao seu processo de decisão”, explica.
O método de casos é um dos diferenciais dessa experiência. Em vez de limitar a aprendizagem à exposição de conceitos, a abordagem estimula os participantes a interpretar situações, questionar premissas, argumentar e construir alternativas a partir dos conhecimentos e das vivências compartilhadas pela turma.
Decisões que vão além dos resultados financeiros
Um dos momentos da aula inaugural foi o fórum Governança e Tomada de Decisão, conduzido pelo superintendente do Sistema Ocergs, Mario De Conto, que utilizou o caso Malden Mills como ponto de partida para a discussão. A trajetória da empresa têxtil norte-americana permitiu refletir sobre decisões empresariais que envolvem não apenas resultados financeiros imediatos, mas também responsabilidade social, sustentabilidade econômica e relacionamento com a comunidade.
A análise trouxe para o debate uma questão relevante para as cooperativas: como conciliar a viabilidade do negócio com os compromissos assumidos perante os diferentes públicos envolvidos? A discussão evidenciou a importância de avaliar as consequências das decisões sob múltiplas perspectivas, considerando seus efeitos para a organização e para o ambiente em que está inserida.
Esse exercício de análise tem conexão direta com os desafios apontados pelos próprios participantes, entre eles dificuldades financeiras, mudanças no cenário econômico, queda de safra, retração do consumo, sustentabilidade e identificação de novas oportunidades de negócio.
Liderança também exige autoconhecimento e adaptação
O desenvolvimento de competências humanas esteve em pauta no fórum Desenvolvimento de Competências do Líder, conduzido pela professora Mariana Stachiu. A atividade combinou análise de casos em grupos, discussões coletivas e exercícios de autopercepção, convidando os participantes a refletir sobre suas competências e seus estilos de liderança.
As dinâmicas abordaram aspectos como comunicação, feedback, relacionamento interpessoal, adaptação a diferentes cenários e compreensão da cultura organizacional. Também estimularam a reflexão sobre como reconhecer as características de uma equipe e o histórico de uma organização antes de conduzir mudanças.
A abordagem dialoga com questões importantes para o futuro das cooperativas, como a formação de novas lideranças, os processos de sucessão, a profissionalização da gestão e a necessidade de desenvolver equipes preparadas para contextos cada vez mais complexos. Para Mariana, dois pilares são essenciais para a liderança cooperativista: pessoas e resultados. “Unir esses dois pilares vai ser essencial para que seja possível ter uma liderança transformacional que agregue valor”, comenta.
Cooperado no centro das decisões e da geração de valor
A programação também incluiu o fórum Centralidade no Cliente/Cooperado e Criação de Valor, conduzido por Alexandre Garcia, a partir do estudo de caso O Dilema da Coopervale. A discussão explorou uma característica fundamental do modelo cooperativista: o cooperado ocupa, simultaneamente, a posição de cliente e de dono do negócio. Essa dupla perspectiva exige que as decisões considerem tanto as necessidades individuais dos associados quanto a sustentabilidade da organização no longo prazo.
Para aprofundar a análise, o fórum utilizou três referências: os sete princípios do cooperativismo, o conceito de Triple Bottom Line — que considera as dimensões econômica, social e ambiental da sustentabilidade — e a reflexão sobre os impactos das decisões no futuro da organização, com horizonte até 2035. O exercício colocou em perspectiva a relação entre atendimento às necessidades dos cooperados, equilíbrio econômico e geração de valor sustentável.
A reflexão se conecta a desafios levantados pela turma, como ampliar a proximidade com o cooperado, compreender suas necessidades, fortalecer a identidade cooperativista, avançar na transformação digital e identificar oportunidades que contribuam para a competitividade dos negócios.
Conhecimento conectado à realidade das cooperativas
Para Thiago Sartori, vice-presidente da Cotripal e um dos alunos da turma, a metodologia baseada em casos é uma oportunidade de desenvolver uma análise mais crítica e relacionar o aprendizado às situações enfrentadas na cooperativa. “A metodologia de cases vai nos trazer a possibilidade de termos uma análise mais crítica, aplicada à nossa cooperativa na prática. É a oportunidade de desenvolver um raciocínio rápido diante de situações e pressões diferentes que o cotidiano nos impõe. Hoje, nas cooperativas, precisamos ter cada vez mais assertividade nas decisões tomadas”, avalia.
A percepção destaca um dos propósitos da formação: criar condições para que os conhecimentos discutidos em sala sejam relacionados às decisões do dia a dia. Ao compartilhar experiências e confrontar diferentes pontos de vista, os participantes ampliam as possibilidades de análise e exercitam a capacidade de avaliar problemas sob novas perspectivas.
Escoop fortalece a formação de lideranças cooperativistas
Com o Prisma, a Escola de Negócios da Escoop amplia sua atuação na formação de lideranças e na preparação de profissionais para os desafios atuais e futuros do cooperativismo. A proposta combina conhecimento aplicado, discussão de dilemas organizacionais e aprendizagem entre pares para contribuir com decisões mais conscientes, estratégicas e alinhadas à geração de valor.
Ao investir na educação cooperativista e no desenvolvimento de competências executivas, a Escoop contribui para fortalecer a gestão, aprimorar a governança e preparar lideranças para lidar com temas como sucessão, inovação, sustentabilidade e relacionamento com os cooperados. Conheça o Prisma – Formação Executiva Cooperativa e saiba mais sobre a proposta da Escola de Negócios da Escoop.